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SECRETARIA REGIONAL DA AGRICULTURA E DO DESENVOLVIMENTO RURAL
Direção Regional dos Recursos Florestais
 



Avaliação de eventuais efeitos da DHV na estrutura demográfica das populações açorianas de coelho-bravo

 

 

 

Galeria de fotos das ações de recolha de amostras



A nova variante do vírus da Doença Hemorrágica Viral difere da variante clássica por, para além dos adultos, causar mortalidade em indivíduos jovens, com menos de quatro semanas de vida.  Por este motivo, é possível que os surtos provoquem diminuições mais acentuadas no efetivo e alterações na estrutura demográfica (etária e sexos) das populações de coelho-bravo, que possam prejudicar a sua recuperação, ou mesmo levar ao seu desaparecimento por dificultar a renovação da população.
 

Estrutura etária

Para averiguar eventuais efeitos na estrutura etária das populações açorianas de coelho-bravo, de 01 a 08 de dezembro de 2016, em animais recém-caçados nas ilhas Graciosa, Terceira e São Miguel, foi recolhido o globo ocular (olho), para posterior determinação da idade através do método do peso seco do cristalino1.  Este método permite estimar a idade de cada coelho com uma precisão de alguns dias, possibilitando assim estudar a estrutura demográfica.

 

 

Ilhas onde foram efetuadas recolhas de amostras.

 

A distribuição dos coelhos-bravos pelas quatro classes etárias, mostra que em cada ilha a percentagem de coelhos com menos de um ano foi superior à de coelhos mais velhos.

Estatisticamente, entre as três ilhas não se observaram diferenças significativas

Para São Miguel é possível comparar a estrutura atual com a existente antes do surgimento da DHV2, nomeadamente durante os períodos venatórios de 2006/2007, 2007/2008 e 2008/2009.

 

 

 

Animais capturados na caça, de 01 a 08 de dezembro de 2016. n=número de animais com idade determinada

 

 

Nesta ilha, não se observaram diferenças significativas na estrutura demográfica da população de coelho-bravo entre os períodos antes (2006/2007 a 2008/2009) e após (2016/2017) o surto de RHDV2 de 2015.

 

Em São Miguel não se observaram diferenças na estrutura demográfica da população de coelho-bravo entre os períodos antes (2006/2007 a 2008/2009) e após (2016/2017) o surto de DHV2 de 2015.

 

 

Animais capturados na caça, no mês de dezembro de cada período venatório mencionado.. n=número de animais com idade determinada.

 

Os surtos de DHV2 ocorridos em 2014/2015, terão muito provavelmente afetado o sucesso reprodutivo em 2015, e consequentemente poderão ter alterado a estrutura demográfica destas populações.  No entanto, após a época de reprodução de 2016, a estrutura observada é semelhante entre as ilhas estudadas, e deverá ser igual à que se verificaria antes da chegada da DHV2, como o sugere a semelhança entre a estrutura atual e anterior observadas em São Miguel.

A contínua monitorização da estrutura demográfica das populações de coelho-bravo nos Açores durante os próximos anos permitirá a identificação de eventuais novos surtos de mortalidade que possam ocorrer durante a época de reprodução, bem como perceber a dinâmica da recuperação demográfica das populações de cada ilha. O conhecimento destes dois aspetos é essencial para a correta definição dos calendários venatórios e do modo de exploração cinegética.

 

1 O cristalino, ou lente, é uma estrutura do olho, que se localiza atrás da íris, e que tem como função direcionar a luz para a retina.  Como cresce continuamente ao longo da vida e não é influenciado por fatores nutricionais, permite, através de fórmulas matemáticas, baseadas no seu peso seco, estimar a idade de um indivíduo em dias. 

 

 

Bibliografia:

Augusteyn, R.C. (2007). On the relationship between rabbit age and lens dry weight: improved determination of the age of rabbits in the wild. Molecular Vision 13: 2030–2034.
Ferreira, C., Rodrigues, T., Leitão, M., Paupério, P., Gonçalves, D. & Alves. P.C. (2012). Gestão de recursos cinegéticos no arquipélago dos Açores - O Coelho-bravo. CIBIO-UP e Direcção Regional dos Recursos Florestais.

Rodrigues, T.M., Almeida, T., Leitão, M., Lima, P., Esteves, P., Alves, P.C. & Gonçalves, D. (2017). Monitorização do impacto da nova variante da Doença Hemorrágica Viral nas populações de coelho-bravo nos Açores. Análise da variação na estrutura demográfica das populações. CIBIO/InBIO Laboratório Associado & DRRF. Relatório interno.

 

 

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