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Secretaria Regional da Agricultura e Florestas
Direção Regional dos Recursos Florestais
 



O controlo do coelho-bravo na proteção de culturas


 

CARATERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS DO COELHO-BRAVO

O coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus algirus) é um animal sedentário, que apresenta uma maior atividade essencialmente no período crepuscular e noturno. O seu ritmo de atividade está intimamente associado com estratégias anti predatórias, pelo que são mais ativos durante a noite em zonas abertas, refugiando-se durante o dia nas tocas ou no interior da vegetação. Trata-se de um animal gregário para o qual a unidade social básica é o grupo familiar, cuja função principal é a reprodução e a vigilância cooperativa em relação aos predadores. Cada grupo pode ser constituído por vários coelhos adultos, que se alimentam em conjunto e que partilham o mesmo sistema de galerias subterrâneas (tocas).

Essencialmente herbívoro, o coelho-bravo pode alimentar-se da maior parte das espécies vegetais, preferindo, no entanto, as gramíneas e as leguminosas. Também se alimenta de rebentos de plantas herbáceas, raízes, grãos, caules e cascas suculentas, sendo, deste modo, capaz de modificar a sua dieta alimentar durante períodos de escassez de alimento.

O coelho-bravo representa uma espécie que, pelo caráter das suas necessidades alimentares, intervém diretamente com as práticas agrícolas, podendo, em determinadas alturas do ciclo produtivo das culturas agrícolas, causar danos significativos.




 

CONTROLO ATRAVÉS DO EXERCÍCIO DA CAÇA

A caça ao coelho-bravo apenas pode ser exercida de acordo com vários processos de caça, previstos e regulamentados de acordo com a legislação que regulamenta o exercício da caça na RAA. Os processos de caça para o coelho-bravo dividem-se em dois grupos, que se diferenciam pela possibilidade ou não da utilização de arma de fogo.


 

Processos de caça previstos para o coelho-bravo.


A definição de cada um dos processos acima referenciados pode ser consultada na legislação que regulamenta o exercício da caça na RAA, mais precisamente na SECÇÃO V do Decreto Regulamentar Regional n.º 3/2018/A, de 22 de fevereiro.



CONTROLO ATRAVÉS DE CORREÇÃO DE DENSIDADE​

O Decreto Regulamentar Regional n.º 3/2018/A, de 22 de fevereiro, prevê no CAPÍTULO X a possibilidade de as populações de espécies cinegéticas poderem ser objeto de ações de correção de densidade, em terrenos cinegéticos, de acordo com os seguintes trâmites:

Requisitos e pedido para a realização de uma correção de densidade (Artigo 58.º)

1 — As populações de espécies cinegéticas podem ser, excecionalmente, alvo de correção de densidade, quando existam indícios suficientes que demonstrem que apenas a diminuição dos efetivos da população é adequada a:

a) Proteger a flora e a fauna e conservar os habitats naturais;

b) Evitar prejuízos, nomeadamente às culturas agrícolas, à criação de gado ou às florestas;

c) Garantir a saúde e a segurança públicas ou a segurança aeronáutica.

2 — A autorização para a realização da correção de densidade deve ser requerida pelo interessado, junto dos serviços florestais de ilha, cabendo ao mesmo demonstrar a ocorrência dos requisitos mencionados no número anterior, apresentar comprovativo da posse do terreno e indicar o caçador ou caçadores responsáveis pela respetiva correção.

3 — A correção de densidade deve acautelar a manutenção das populações da espécie cinegética em causa, num estado de conservação equilibrado e favorável, na sua área de distribuição natural.

Decisão (Artigo 59.º)

1 — A correção de densidade carece de autorização dos serviços florestais de ilha, mediante despacho, do qual constam, nomeadamente, as razões que a determinam, a espécie ou espécies cinegéticas que podem ser alvo de captura ou abate, o local, os processos de caça permitidos, devidamente adaptados em função das condicionantes locais, o prazo para realização da correção, bem como o número e identificação de caçadores autorizados.

2 — O serviço florestal de ilha dispõe de um prazo de cinco dias úteis para decidir sobre o requerimento para a realização da correção, ou de dez dias úteis, caso a correção ocorra em áreas protegidas.

3 — A correção de densidade em áreas protegidas carece de parecer do serviço do departamento do Governo Regional com competência em matéria de ambiente, a emitir no prazo de cinco dias úteis, findo o qual pode o procedimento prosseguir e vir a ser decidido sem o referido parecer.

4 — Quando, em resultado da vistoria realizada pelo serviço florestal de ilha, se verifique que a correção de densidade não será eficaz sem que se efetue a extensão da mesma a terrenos contíguos, caberá ao interessado obter as necessárias autorizações dos proprietários respetivos.

5 — Em casos devidamente fundamentados, e desde que não estejam em causa outras áreas interditas, pode ser autorizada, pelos serviços florestais, correção de densidade em áreas de criação animal ou de aparcamento de gado, mediante requerimento do interessado, nos termos do n.º 2 do artigo 58.º.

6 — Em casos devidamente fundamentados por parecer do serviço do departamento do Governo Regional com competência em matéria cinegética, pode o membro do Governo Regional respetivo autorizar a correção de densidade, mediante despacho, fora das condições regulamentares do exercício da caça, fixando as condicionantes em que a mesma deve ocorrer.

Execução e acompanhamento (Artigo 60.º)

1 — A correção de densidade é efetuada obrigatoriamente dentro do prazo fixado pelos despachos referidos no artigo anterior.

2 — O interessado deve comunicar ao serviço florestal de ilha, no prazo máximo de cinco dias úteis após o término da correção de densidade autorizada, os resultados alcançados com a mesma.

3 — O não cumprimento do disposto no número anterior pode determinar a impossibilidade de voltar a ser autorizada qualquer correção de densidade ao interessado, num prazo de dois anos.

O fluxograma, representado abaixo, resume o processo desencadeado para pedido para correção de densidades, em função do estatuto das áreas em causa, organismos envolvidos, informação requerida e prazos para resposta.

 
 ​Processo para pedido de correção de densidades.



CONTROLO EM ÁREAS DE INTERDIÇÃO À CAÇA​

A legislação que estabelece o regime jurídico de gestão dos recursos cinegéticos e do exercício da caça na RAA, proíbe o recurso a processos de caça que envolvam a utilização de arma de caça, em áreas que se consideram interditas ao exercício da caça, nomeadamente, escolas, lares de idosos, instalações militares, estações radioelétricas, faróis, instalações turísticas, parques de campismo, recintos desportivos e de recreio, instalações industriais e áreas de criação animal e de aparcamento de gado, aeroportos e aeródromos, vias públicas, zonas balneares e orlas marítimas, numa faixa de proteção de 250 metros, obrigando deste modo ao recurso a métodos alternativos.

Mecanismos de afugentamento​

O recurso a produtos químicos tóxicos deverá estar naturalmente fora de questão, considerando o facto de poderem colocar em risco a vida de outras espécies selvagens e/ou domésticas, com eventuais repercussões ao nível do ambiente e da segurança da saúde pública. No entanto, existem atualmente no mercado várias opções para produtos químicos sintéticos ou mesmo naturais, não tóxicos, de ação repelente para o coelho-bravo e que permitem mantê-lo afastado das culturas durante os períodos mais críticos, sem implicações para a restante fauna ou flora.

Embora não se conheçam resultados da sua aplicação na região, também existem outras opções, que passam pelo recurso a sistemas repelentes que permitem proteger as áreas cultivadas, sem ser necessário recorrer à utilização de produtos químicos. Trata-se de mecanismos que utilizam tecnologias que passam pela emissão de sons e também pelo recurso a sistemas ultrassónicos (silenciosos para o ouvido humano), para afastar os animais das áreas a proteger.


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Repelentes químicos
Existem no mercado repelentes químicos, destinados ao coelho-bravo, sob a forma de grânulos ou sob a forma liquida e que não são tóxicos nem são nefastos para o ambiente.

Conforme o tipo de repelentes, podem ser aplicados ao redor ou sobre as plantas ou culturas instaladas. Os grânulos são normalmente colocados ao redor das plantas ou então numa linha periférica à cultura que se pretende proteger. Já os líquidos podem ser colocados sobre as plantas e/ou também numa linha periférica à cultura ou plantas que se pretende proteger. No entanto, não podemos assumir que os produtos com ação repelente serão eficazes, em toda e qualquer situação. Por vezes, os coelhos-bravos já se encontram tão acostumados a alimentar-se a partir de uma determinada cultura ou numa determinada área de cultivo, que simplesmente ignoram o repelente.

Para evitar esta situação, a melhor estratégia passa pela prevenção, através da utilização do produto repelente um pouco antes da instalação da cultura, continuando a aplicá-lo até que a cultura em causa deixe de estar vulnerável à ação dos coelhos-bravos.

Também poderá acontecer que a ação do produto repelente seja anulada pela ação da chuva, pelo que será importante atender a essa possibilidade e reaplicar o repelente, sempre que necessário.

Informação: Estes produtos podem ser encontrados nas lojas de produtos para a agropecuária.

 


Canhões de disparos afugentadores​​

Estes mecanismos são programáveis e traduzem-se nu​m sistema canhão de disparos, com funcionamento a gás, audíveis a grandes distâncias e que provocam a fuga dos coelhos.

 

Sistemas de canhão de disparos (http://quintadobanca.pt; www.mfrural.com).

 
 


​Estes aparelhos, alimentados através de baterias ou painéis solares, são programáveis e estão normalmente
equipados com um microprocessador e colunas que emitem sons de predadores naturais, sirenes ou outros sons de alarme, num padrão de frequência imprevisível, de modo a evitar a habituação dos coelhos aos sons
emitidos, mantendo-os em stress e deste modo afastadas do local. 


Sistemas de emissão de sons repelentes (www.birdgard.com; Yard Sentinel™).


Também existem sistemas repelentes que usam frequências ultrassónicas, para afastar animais incómodos, que têm a vantagem de poderem ser utilizados em áreas de cultivo próximas de zonas urbanas.


Sistemas de emissão de frequências ultrassónicas (www.ecoced.com).

 

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​​Outros sistemas para espantar coelhos-bravos

Existem muitos outros sistemas repelentes, uns de carater generalista outros de caráter mais específico.

Por exemplo, o repelente Aqua spray é acionado por movimento que, quando ativado através de um sensor-infravermelhos responsável por detetar movimento, dispara um jato de água durante 5 segundos para dissuadir a aproximação dos coelhos mais persistentes. A área de cobertura é ajustável até 10 metros, num arco de 1200, criando uma zona protegida de mais de 100 metros.

Este repelente utiliza apenas água para afugentar os coelhos.
  



Repelente modelo Aqua spray (www.ecoced.com).


Não podemos deixar de considerar o recurso a “mezinhas” e truques caseiros tradicionais, dos quais se faziam valer os antigos, desprovidos dos mecanismos e produtos desenvolvidos atualmente com base na evolução da ciência e da tecnologia. Na maioria trata-se do recurso a processos de custos reduzidos e sem implicações para o ambiente, no entanto a sua aplicação está mais direcionada para pequenas áreas.

Temos os seguintes exemplos:

Utilização de plantas com ação repelente: Por exemplo, misturar os grãos de alforva, também conhecida como feno-grego, (Trigonella foenum-graecum) com as sementes a utilizar na sementeira, porque têm um cheiro muito ativo e muito desagradável.

Cordas revestidas em óleo de pimenta: De acordo com alguns relatos, provoca irritação no nariz dos coelhos, mantendo-os longe.

Urina de um predador natural (furão, cão, gato): Espalhada na periferia da zona cultivada repele os coelhos-bravos.

 

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ELIMINAÇÃO DOS LOCAIS DE REFÚGIO

 

​O coelho-bravo tem tendência a alimentar-se o mais próximo possível de locais onde se possa refugiar dos seus​ predadores naturais. Como tal, as situações em que a limpeza dos terrenos é descurada potenciam a afluência e fixação do coelho-bravo.

As áreas de pastagem com a presença de infestantes (ex. silvas, fetos, outras), quer no seu interior, quer na sua periferia, constituem as áreas preferenciais para o coelho-bravo, pois proporcionam boas condições para alimentação, refúgio e procriação.

A limpeza das infestantes nas áreas de produção é deste modo muito importante, funcionando como fator desmotivador da afluência e fixação do coelho-bravo e reduzindo o seu impacto sobre as culturas instaladas.​

 



 


VEDAÇÃO DAS ÁREAS DE CULTIVO

O recurso à utilização de redes, para vedação e proteção das áreas de cultivo, traduz-se num método muito eficaz, embora em muitos casos não seja considerada uma solução viável. Há que fazer contas e ter em consideração vários aspetos, como por exemplo, a dimensão da área a vedar; a orografia do terreno e consequentes implicações ao nível da fixação da rede; o tipo de rede a utilizar; a rentabilidade da área em causa, entre outros mais aspetos. Muitas vezes, o investimento na vedação de uma determinada área de cultivo acaba por ser amortizado, a médio prazo, se considerarmos a eliminação dos prejuízos causados anualmente pelo coelho-bravo.

Existem no mercado vários tipos de rede para o efeito, conforme se pode constatar abaixo, no entanto, há que ter em conta que a rede a utilizar nunca deverá ter menos do que 1,5 metros de altura, a largura da malha não deverá ultrapassar os 4 a 5 cm e deverá ser enterrada a uma profundidade de 40 a 60 cm.


 
Modelos de rede para vedação de áreas de cultivo.


Nos casos em que é necessário protegerem-se as plantas, a nível individual, existe ainda outra opção que passa pelo recurso a manga de rede para proteger as árvores.

 
Modelos de protetores individuais.


Ao nível das vedações, também existe a possibilidade de recorrer à utilização de redes eletrificadas, conhecidas como pastores elétricos, de fácil instalação e que podem ser reutilizadas em outras culturas. Os pastores elétricos trabalham com uma bateria ou em alternativa com o recurso a um painel solar. A rede elétrica tem normalmente de 0,50 ou de 0,75 metros de altura.



   

Modelo de pastor elétrico, para proteção contra coelhos.

(http://www.ocasiao.pt/animais/tabua-tratamento-acessorios-pastores-electricos-redefitafioelectrico-vedacoes)



bibliografia DE APOIO​

Decreto Legislativo Regional n.º 3/2018/A, de 22 de fevereiro, que revoga o Decreto Legislativo Regional n.º 17/2007/A, de 15 de maio, e o Decreto Regulamentar Regional n.º 4/2009/A, de 5 de maio.

Decreto Legislativo Regional n.º15/2012/A, de 2 de abril.

DRRF (2014). MANUAL CURSO GUARDAS FLORESTAIS – Módulo da Cinegética.

Ferrand, N (2008). Inferring the evolutionary history of the European rabbit (Oryctolagus cuniculus) from molecular markers. In P.C. Alves, N. Ferrand, & K. Hackländer (Eds.). Lagomorph Biology: Evolution, Ecology, and Conservation. Pp. 47–63. Springer-Verlag, Berlin Heidelberg.

Ferreira, C., C., Rodrigues, T., Leitão, M., Paupério, J., Gonçalves, D. & Alves, P.C. (2012). Gestão de recursos cinegéticos no arquipélago dos Açores – O Coelho-bravo. CIBIO-UP e Direção Regional dos Recursos Florestais, Porto.

Ferreira, C. & Alves, PC. (2006). Gestão de populações de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus algirus). Federação Alentejana de Caçadores (Eds.).

Ferreira, C., Rodrigues, T., Leitão, M., Paupério, J., Gonçalves, D. & Alves, PC. (2012). Gestão de recursos cinegéticos no arquipélago dos Açores – O Coelho-bravo. CIBIO-UP e Direção Regional dos Recursos Florestais, Porto.

Leitão, M. (2014). GUIA PARA A EXECUÇÃO DE CENSOS DE ESPECIES CINEGÉTICAS. Direção Regional dos Recursos Florestais. Açores.

Leitão, M. (2013). GUIA PARA A FISCALIZAÇÃO DA CAÇA. Direção Regional dos Recursos Florestais. Açores.

Leitão, M. et al (2016). Plano de combate a pragas e controlo de densidade de espécies protegidas dos Açores. Secretaria Regional da Agricultura e Ambiente / Direção Regional da Agricultura.

Luengo, JLR, Oliveira, P, Fonseca, A. e Silva, L. (2012). Oryctolagus cuniculus (Linnaeus, 1758). In: Silva L., E. Ojeda Land & JL Rodríguez Luengo (eds.) Flora e Fauna Terrestre Invasora na Macaronésia. TOP 100 nos Açores, Madeira e Canárias, pp. 338-341. ARENA, Ponta Delgada.


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SITES CONSULTADOS NA INTERNET​

http://www.ecoced.com

http://www.brulemar.com

http://www.chocadeiras.com

http://www.ocasiao.pt/animais/tabua-tratamento-acessorios-pastores-electricos-redefitafioelectrico-vedacoes

http://www.hilarioalves​


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