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Flores

Cartas de caçador

Entre 2011/2012 e 2024/2025 existiram 182 cartas de caçador diferentes, válidas na ilha das Flores, 172 regionais e 10 nacionais.  Este número variou ao longo dos anos, com a caducidade de algumas e atribuição de novas cartas.  Desde 2015/2016, quando existiriam cerca de 171 residentes com carta de caçador válida, o número de cartas válidas tem vindo a diminuir progressivamente.  Na época de 2024/2025, existiriam 121 cartas de caçador válidas (112 cartas de caçador regional e 9 cartas de caçador nacional), correspondendo a uma redução de cerca de 29,2% na última década.  Entre 2011 e 2021, a percentagem de titulares de carta de caçador entre residentes na RAA, com mais de 15 anos, (Nacionais e Regionais) manteve-se em 4,9%.

Nesta análise observa-se uma diminuição generalizada no número de cartas de caçador válidas.  O envelhecimento dos caçadores, em conjunto com o baixo recrutamento de novos caçadores, parecem justificar esta tendência.

Variação anual do número de cartas de caçadores (regionais e nacionais) válidas na ilha das Flores.

Demografia

As 182 cartas de caçador válidas identificadas entre 2011/2012 e 2024/2025 na ilha das Flores, corresponderam a 177 caçadores masculinos e cinco femininos.

Assumindo que cada carta válida corresponde a um caçador vivo, a variação da estrutura etária da população de caçadores tendeu para uma concentração nas classes etárias dos 41-50 e 51-60 anos, em 2024/2025.

Variação, por época venatória, da estrutura etária da população de caçadores residentes na ilha das Flores (% de cartas de caçador válidas).

A estrutura etária da população de caçadores (cartas de caçador válidas) era, em 2011, distinta da estrutura da população residente total, apresentando uma forte concentração entre os 31 e os 50 anos.  Em 2021, esta diferença acentuou-se, tendo-se verificado um deslocamento para classes mais envelhecidas, estando as idades dos caçadores mais concentradas entre os 41 e os 60 anos, e uma grande redução nos caçadores com idades compreendidas entre os 16 e os 40 anos.  O envelhecimento observado (10 anos), parece ter ocorrido em paralelo com o envelhecimento da população residente na ilha das Flores, sendo agravado pelo baixo recrutamento de novos caçadores.

Estrutura etária da população, com mais de 15 anos, residente na ilha das Flores (negro) em 2011 (esquerda) e 2021 (direita) e estrutura etária da população de caçadores (cartas de caçador válidas) aí residente (verde) nas épocas venatórias de 2011/2012 (esquerda) e 2021/2022 (direita).

Recrutamento

O número de inscritos para realização de exame de carta de caçador regional na ilha das Flores diminuiu cerca de 83,3%, entre 2006 e 2015, e desde então, ao longo da última década, permaneceu sempre abaixo da dezena de inscritos por ano, havendo anos sem qualquer inscrição.

Variação anual do número de inscritos em exame de carta de caçador regional na ilha das Flores.

Nos últimos anos, o reduzido número de inscritos nos exames de carta de caçador regional, tem sido agravado pelo aumento de candidatos sem aproveitamento, e pelo número de faltas.

Variação anual das proporções (%) de aprovações, reprovações e faltas aos exames de carta de caçador regional na ilha das Flores.

Espécies

A venda de licenças para a época de 2010/2011 a residentes na ilha das Flores, sugere que a grande maioria (93,2%) pretendia, naquela época, caçar ao coelho-bravo, e os restantes se dividiriam entre a caça a esta espécie e às aves (6,8%).

Licenças

A venda de licenças para caçar na ilha das Flores, reduziu entre 2014/2015 e 2015/2016, tendo passado de uma média de 157,5 licenças em cada época, entre 2011/2012 e 2014/2015, para 52,8 entre 2015/2016 e 2024/2025.  Nas primeiras quatro épocas, cerca de 32,5% das licenças para caçar nesta ilha foram adquiridas por caçadores externos à ilha ou à Região; a partir de 2015/2016, este grupo de caçadores foi responsável pela aquisição de apenas 7,7% das licenças para caçar nas Flores.

Variação do número caçadores diferentes, residentes (verde) ou não residentes (branco) na ilha das Flores, que adquiriu pelo menos uma licença para caçar nesta ilha.

Considerando a venda de licenças de caça, entre 2011/2012 e 2014/2015, a residentes na ilha das Flores, cerca de 63,0% dos titulares de carta de caçador adquiriu licença nessas épocas.  Em 2015/2016 e 2016/2017, essa percentagem baixou para 20,1%, e desde 2017/2018 tem permanecido em torno de 37,2%.  Contudo, observaram-se aumentos, nomeadamente em 2020/2021 e 2024/2025, coincidentes com a permissão da caça ao coelho-bravo nessas épocas.

Proporções (%) de caçadores residentes na ilha das Flores, que adquiriram e não adquiriram licença para caçar em cada época.

Em cada época, a grande maioria dos caçadores residentes na ilha das Flores, que adquiriu licença de caça, apenas o fez para a esta ilha, existindo mesmo algumas épocas em que nenhum caçador residente na ilha das Flores adquiriu licença para qualquer outra ilha.  As situações de aquisição de licenças para caçar em ilhas adicionais (até 2) foram pouco frequentes, e não parecem ter aumentado com o impedimento da caça ao coelho-bravo naquela ilha.

Proporções (%) de caçadores residentes na ilha das Flores, que adquiriram uma, duas ou mais de duas licenças para caçar em cada época (para melhor visualização, o eixo das ordenadas começa em 80%).

Ao longo das várias épocas em análise, os caçadores residentes na ilha das Flores que adquiriram licenças para caçar noutras ilhas, tenderam a fazê-lo com maior frequência para as ilhas do Faial, Pico, Terceira e São Miguel.  Não se tendo verificado a compra de licenças para caçar em Santa Maria.

Variação, por época venatória, da proporção (%) de licenças de caça vendidas a residentes na ilha das Flores, para caçar em outra ilha.

A diminuição na venda de licenças para caçar na ilha das Flores observou-se tanto entre os caçadores locais, como entre os residentes noutras ilhas, ou não residentes na Região Autónoma dos Açores.  Contudo, o número de licenças de caça vendidas a este último grupo quase que desapareceu a partir de 2015/2016.

Variação, por época, da proporção (%) de licenças de caça vendidas para caçar na ilha das Flores a residentes nessa ilha, noutra ilha e a não residentes na RAA.

Ao longo das várias épocas em análise, as licenças de caça para a ilha das Flores, vendidas a não residentes nessa ilha, foram sobretudo adquiridas por caçadores residentes nas ilhas de São Miguel, Corvo, Faial e Terceira, bem como a caçadores não residentes na RAA.  Não se registou venda de licenças de caça para caçar na ilha das Flores, a residentes na ilha Graciosa.

Variação, por época venatória, da proporção (%) de licenças de caça vendidas não residentes na ilha das Flores, para caçar naquela ilha.

Cinegética