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Pico

Cartas de caçador

Entre 2011/2012 e 2024/2025 existiram 314 cartas de caçador diferentes, válidas na ilha do Pico, 275 regionais, 38 nacionais e uma estrangeira. Este número variou ao longo dos anos, com a caducidade de algumas e atribuição de novas cartas. O número de cartas de caçador válidas aumentou entre 2011/2012 e 2018/2019 nesta ilha, de 249 para 271. De então, até 2024/2025, o número de cartas válidas tem vindo a diminuir, tendo atingido as 243 em 2024/2025 (212 cartas de caçador regional, 20 cartas de caçador nacional e uma estrangeira), numa diminuição de 10,3% ao longo de seis épocas. Em 2021, o número de cartas de caçador válidas correspondia a cerca de 2,2% dos residentes com mais de 15 anos, mais 0,13% do que em 2011.

Variação anual do número de cartas de caçadores (regionais e nacionais) válidas na ilha do Pico.

Demografia

As 314 cartas de caçador válidas identificadas entre 2011/2012 e 2024/2025 na ilha do Pico, corresponderam a 309 caçadores masculinos e cinco femininos.

Assumindo que cada carta válida corresponde a um caçador vivo, a variação da estrutura etária da população de caçadores tendeu para o envelhecimento. Em 2011/2012, a maioria dos caçadores teria entre 31 e 60 anos e, em 2024/2025, passaram a dominar as classes etárias entre os 41 e os 70 anos.

Variação, por época venatória, da estrutura etária da população de caçadores residentes na ilha do Pico (% de cartas de caçador válidas).

A estrutura etária da população de caçadores (cartas de caçador válidas) era, em 2011, distinta da estrutura da população residente total, apresentando uma forte concentração entre os 31 e os 60 anos. Em 2021, esta diferença acentuou-se, tendo-se verificado um deslocamento para classes mais envelhecidas, e uma grande redução nos caçadores com idades compreendidas entre os 16 e os 40 anos, estando as idades dos caçadores mais concentradas entre os 41 e os 70 anos. O envelhecimento observado (10 anos), parece ter ocorrido em paralelo com o envelhecimento da população residente na ilha do Pico, sendo agravado pelo baixo recrutamento de novos caçadores.

Estrutura etária da população, com mais de 15 anos, residente na ilha do Pico (negro) em 2011 (esquerda) e 2021 (direita) e estrutura etária da população de caçadores (cartas de caçador válidas) aí residente (verde) nas épocas venatórias de 2011/2012 (esquerda) e 2021/2022 (direita).

Recrutamento

O número de inscritos para realização de exame de carta de caçador regional na ilha do Pico diminuiu cerca de 77,3%, entre 2006 e 2015. No início da última década, ainda se registaram vários anos em que o número de inscritos superava a dezena por ano, mas, desde 2020, esta marca nunca voltou a ser superada.

Variação anual do número de inscritos em exame de carta de caçador regional na ilha do Pico.

Nos últimos anos, o número de reprovações nos exames de carta de caçador regional, bem como o número de inscritos faltosos terá sido mais um condicionante ao recrutamento de novos caçadores na ilha do Pico.

Variação anual das proporções (%) de aprovações, reprovações e faltas aos exames de carta de caçador regional na ilha do Pico.
Espécies

A venda de licenças para a época de 2010/2011 a residentes na ilha do Pico, sugere que uma fração importante dos caçadores locais se dividiria entre a caça ao coelho-bravo e às aves (57,8%), seguindo-se um grupo, também ele importante, de caçadores que apenas pretenderiam caçar ao coelho-bravo (33,6%) e, um conjunto menor de caçadores se dedicariam em exclusivo à caça às aves (8,6%).

Licenças

Na ilha do Pico, entre 2011/2012 e 2015/2016, observou-se uma diminuição no número de licenças vendidas. Em 2016/2017 verificou-se um aumento, e as vendas permaneceram relativamente estáveis, numa média de 202,6 licenças por época até 2024/2025. Esse aumento parece dever-se sobretudo ao aumento do número de licenças vendidas a residentes na ilha do Pico. Embora o Pico seja um destino de caça, muito apreciado por caçadores de galinhola, a maioria das licenças adquiridas em cada época venatória, 73,1%, foi adquirida por caçadores residentes na ilha. Ainda assim, em todas as épocas, os caçadores externos à ilha, são responsáveis pela aquisição de uma proporção importante das licenças de caça para caçar nesta ilha.
Variação do número caçadores diferentes, residentes (verde) ou não residentes (branco) na ilha do Pico, que adquiriu pelo menos uma licença para caçar nesta ilha.

Considerando a venda de licenças de caça, entre 2011/2012 e 2024/2025, a residentes na ilha do Pico, observou-se uma redução na proporção de titulares de carta de caçador que adquiriu licença entre 2011/2012 e 2015/2016, de 57,8% para 38,7%. A partir de 2016/2017, mais de metade dos caçadores residentes na ilha do Pico adquiriu licença de caça.

Proporções (%) de caçadores residentes na ilha do Pico, que adquiriram e não adquiriram licença para caçar em cada época.

Em cada época, a grande maioria dos caçadores residentes na ilha do Pico, que adquiriu licença de caça, apenas o fez para esta ilha. As situações de aquisição de licenças para caçar em ilhas adicionais (até 4) foram perdendo importância ao longo dos anos e, nas duas últimas épocas nenhum caçador adquiriu licença para caçar em mais do que uma ilha adicional.

Proporções (%) de caçadores residentes na ilha do Pico, que adquiriram uma, duas ou mais de duas licenças para caçar em cada época (para melhor visualização, o eixo das ordenadas começa em 80%).

Ao longo das várias épocas em análise, os caçadores residentes na ilha do Pico que adquiriram licenças para caçar noutras ilhas, tenderam a fazê-lo com maior frequência para a vizinha ilha de São Jorge, havendo venda de licenças para esta ilha, a residentes no Pico, em todas as épocas; e, nas últimas seis, sete épocas, a procura de licenças para caçar nas ilhas de São Miguel e do Faial aumentou. Com exceção da ilha de Santa Maria, os caçadores residentes na ilha do Pico adquiriram licença para caçar em todas as ilhas.

Variação, por época venatória, da proporção (%) de licenças de caça vendidas a residentes na ilha do Pico, para caçar em outra ilha.

Entre 2011/2012 e 2024/2025, a maioria das licenças de caça para caçar na ilha do Pico, foi vendida a residentes nessa ilha, mas a proporção de caçadores externos à ilha, que adquiriu licença foi sempre relativamente importante, em média 26,9%. Em todas as épocas, os caçadores residentes noutras ilhas da Região Autónoma dos Açores representaram a maioria destas aquisições.

Variação, por época, da proporção (%) de licenças de caça vendidas para caçar na ilha do Pico, a residentes nessa ilha, noutra ilha e a não residentes na RAA.

Ao longo das várias épocas em análise, as licenças de caça para a ilha do Pico, vendidas a não residentes nessa ilha, foram sobretudo adquiridas por caçadores residentes nas ilhas de São Miguel, do Faial e Terceira, bem como por caçadores não residentes na Região Autónoma dos Açores. Estas aquisições mantiveram-se ao longo dos anos. Foram vendidas licenças para caçar na ilha do Pico a caçadores de todas as ilhas, com a exceção da ilha do Corvo.

Variação, por época venatória, da proporção (%) de licenças de caça vendidas não residentes na ilha do Pico, para caçar naquela ilha.
Cinegética